
Entre os diversos itens que precisam ser descartados com cuidado em uma oficina, um dos mais críticos são as baterias. Isso porque dentro dessas caixas de plástico existe uma série de substâncias perigosas que fazem mal à saúde humana e podem contaminar o meio ambiente. Entre elas, ácido sulfúrico, que pode causar queimaduras graves, e metais pesados, como chumbo e mercúrio, que podem causar doenças graves ao entrar no organismo. Se ficarem expostas ao sol e à chuva, as baterias usadas podem liberar dióxido de enxofre, que é um gás tóxico.
No Brasil, o descarte correto das baterias de carro é regulamentado pela resolução nº 401/2008 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que determina que os fabricantes precisam receber de volta as baterias usadas. Por isso, os principais fabricantes criaram redes de logística reversa, com unidades autorizadas para receber de volta e sistemas de coleta adequados. No processo de reciclagem, o chumbo é separado, fundido e reaproveitado para novas baterias. O plástico pode ser reciclado e transformado em novos produtos. O ácido sulfúrico é neutralizado e tratado para ser descartado adequadamente, sem afetar o meio ambiente. No total, cerca de 98% dos materiais são reaproveitados.
Na oficina, antes da devolução, a bateria usada precisa ser armazenada em local coberto, seco, ventilado e sobre paletes (nunca diretamente no chão) para evitar contaminação do solo por vazamento de ácido. Deve ficar separada de outros resíduos, como plástico, papel ou pneus. E o manuseio deve sempre ser feito com o uso de EPIs, por causa do risco de vazamento de produtos tóxicos.
Carros elétricos e híbridos
A questão do descarte e reciclagem de baterias se tornou mais complicada nos últimos anos por causa da chegada dos veículos elétricos e híbridos. Esses carros têm baterias imensas, pesadas e que são muito mais complexas tecnologicamente que as baterias comuns dos carros a combustível.
Felizmente, elas também são recicláveis. Aliás, no Brasil fica a primeira empresa do mundo que gerencia o reuso, a reciclagem e o reparo de baterias de lítio em uma única central – a Energy Source, que já reciclou mais de 500 toneladas de baterias de lítio. As baterias são desmontadas e seus componentes dão origem a baterias para energia solar, acumuladores de carga em fábricas ou backups de estações de recarga de veículos elétricos. Existe também um projeto em discussão no Senado, que propõe criar uma lei específica para a circularidade das baterias de lítio, usadas nos carros elétricos. O objetivo, além de garantir a segurança e a rastreabilidade dessas baterias, é regulamentar as cooperativas de reciclagem que participariam dessa logística reversa.