
A tecnologia automotiva vive um crescimento acelerado com o aumento da eletrônica embarcada, o desenvolvimento de cada vez mais componentes digitais e o uso de inteligência artificial. Todo esse progresso melhora a eficiência, a segurança, a economia e a sustentabilidade dos carros. Mas também permite a criação de radares e câmeras de trânsito mais eficientes, com capacidade de flagrar infrações que antes passariam despercebidas.
Na Espanha, por exemplo, a divulgação de um novo equipamento de fiscalização gerou polêmica. Trata-se de um radar de trânsito que, além de identificar a placa do veículo, consegue detectar todos os dispositivos eletrônicos que estão ali dentro: celulares, computadores, fones de ouvido sem fio e até mesmo chips de identificação de pets, ou seja, qualquer dispositivo que possua Wi-Fi, bluetooth ou RFID. A princípio, o objetivo da tecnologia é permitir uma medição mais precisa da velocidade e da aceleração, cruzando as informações dos diversos dispositivos identificados. Mas grupos de consumidores se disseram preocupados com os riscos de quebra de privacidade e ataques cibernéticos.
No Brasil, postagens em redes sociais geraram pânico nos últimos meses ao falar sobre um sistema de radar que mede a velocidade média dos carros nas rodovias, o que permitiria flagrar aqueles motoristas que só diminuem a velocidade quando percebem o equipamento à frente e aceleram novamente logo em seguida. O sistema, na verdade, está apenas em testes e ainda não pode aplicar multas porque não existe legislação prevendo sua utilização. Ele conecta radares em pontos diferentes da mesma estrada e faz o cálculo comparando os horários de passagem em cada ponto. O primeiro teste aconteceu em uma rodovia do Espírito Santo, em um trecho onde a velocidade máxima é de 60 km/h. Ele já chegou a identificar carros dirigindo numa média de 124 km/h, reduzindo somente ao chegar perto dos radares. Agora já existem testes em rodovias de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Os novos sistemas também ajudam a combater a evasão nas praças de pedágio e melhorar a eficiência dos sistemas de free flow. Eles integram câmeras, inteligência artificial e sensores para fazer leituras tridimensionais dos veículos e garantir a identificação correta mesmo em situações difíceis, como chuva forte, neblina ou veículos trafegando muito próximos um do outro. A incorporação de recursos tecnológicos já permite combater até golpes que pareciam sem solução, como o dos motoristas que evadem o pedágio e circulam sem placa, por isso não recebem multa dos radares eletrônicos. Um sistema inteligente de monitoramento, instalado em pedágios do Paraná e de Santa Catarina, detecta essas situações e envia imediatamente uma notificação para a Polícia Rodoviária Federal, que localiza o veículo para multa e até apreensão, dependendo da gravidade do ocorrido.
Saiba mais sobre o assunto nos sites Auto Esporte, Estadão, Jornal do Carro e Arteris.