
Com a crise nos preços dos combustíveis gerada pelo conflito no Oriente Médio, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, em caráter provisório, até dezembro, com possibilidade de prorrogação. A medida, segundo o Ministério das Minas e Energia, pode reduzir a necessidade de importação de 500 milhões de litros de combustível por mês.
A decisão é vista como importante para garantir o fornecimento de combustível e evitar aumentos exagerados de preços, mas foi criticada por alguns especialistas e representantes da indústria por ter acontecido sem a realização de testes mais extensivos. Uma das críticas é que os testes divulgados mais recentemente haviam focado em uma mistura de 30% de etanol, e consideraram o percentual de 32% apenas como margem de tolerância. A Anfavea, que representa os fabricantes de veículos, se pronunciou a favor do uso de biocombustíveis, mas defendeu mais testes antes da oficialização da mudança. A Abraciclo, que representa as indústrias de motos, havia alertado para dificuldades de partida a frio e falhas na retomada de aceleração em motocicletas durante avaliações anteriores.
O principal risco de problemas está nos veículos mais antigos, que não foram produzidos para trabalhar com uma mistura tão rica em etanol, e em modelos importados, vindos de países onde o álcool não é utilizado na mesma proporção que no Brasil. O Portal G1 publicou uma lista dos principais problemas que podem ocorrer como efeito do maior teor de álcool, elaborada por Vinicius Giungi, importador de componentes para carros:
- Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível.
- Desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação.
- Ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos.
- Oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação.
- Travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível.
- Baixa vida útil de velas de ignição.
Para saber mais sobre o assunto, visite os sites CNN Brasil, Autopapo e G1.