
Diversas peças de automóveis podem ser recicladas: metais, plásticos, pneus, vidros e baterias. Mas a reciclagem vai além e pode encontrar novos usos até para itens que parecem descartáveis, como lubrificante. O chamado OLUC (sigla para “óleo lubrificante usado ou contaminado”), que antigamente era simplesmente jogado fora, poluindo o solo e os lençóis freáticos, hoje pode ser totalmente reciclado por meio de um processo conhecido como rerrefino, que o transforma em um óleo básico de boa qualidade, que pode ser reutilizado. No Brasil, esse processo de coleta e reaproveitamento faz parte de um processo de logística reversa estabelecido por lei.
O óleo usado é separado e encaminhado para a coleta seletiva em pontos como oficinas, postos e centros de reciclagem, de onde é transportado por caminhões especializados em resíduos contaminantes. Dali, vai para unidades de armazenamento temporário e, finalmente, para as unidades industriais que fazem o rerrefino.
Na fábrica, as amostras são divididas em função do tipo de impurezas contidas, para que passem por processos de descontaminação. Inicialmente, passam por um processo de desidratação, ou seja, a retirada da água contida no óleo, por meio do aquecimento. Em seguida, ocorre um processo de purificação inicial, no qual são retirados os contaminantes, e o fracionamento. Nessa etapa, o óleo é separado em função da viscosidade, separando componentes mais leves, como o diesel. O material então passa por um processo chamado clarificação, com substâncias químicas ácidas ou neutralizadoras. Depois, é filtrado e submetido a uma reação com hidrogênio em alta temperatura e pressão para remover o enxofre.
O resultado final são diferentes tipos de óleo, fracionados de acordo com sua utilidade. Uma parte é um óleo básico que pode receber aditivos e se transformar em um lubrificante novo. Outra parte corresponde a combustíveis pesados, que podem ser utilizados em grandes motores, como os de navios. Há também a fração asfáltica, que pode ser utilizada não apenas na produção de asfalto, mas também de outros impermeabilizantes. As partes que sobram, os contaminantes que foram removidos, são retirados e passam por um processo de tratamento de resíduos para ser descartada em aterros especiais.
Esse processo já existe em mais da metade dos municípios do país e tem um benefício ambiental impressionante. Para se ter uma ideia, um único litro de OLUC descartado incorretamente pode contaminar até 1 milhão de litros de água.